Agronegócio

Mossoró vira capital brasileira da fruticultura, que fatura R$ 1 bilhão no RN

A maior feira de fruticultura irrigada do país –a Expofruit – já começou e até quinta-feira, 23, deve prospectar negócios na ordem de R$ 40 milhões. Os 300 estandes montados na Estação das Artes, em Mossoró, atraíram – na noite de abertura – centenas de pessoas da região do interior do Rio Grande do Norte, dezenas de empresários de todo o país e até do exterior, além de autoridades do poder público.

Com o tema “Todo mundo vê o desenvolvimento da fruticultura. Está estampado na nossa cara”, a Expofruit transformará Mossoró – nesta semana – na capital brasileira da fruticultura irrigada. A feira ocupa uma área de 15 mil metros quadrados e promete trazer mais benefícios para o setor. Isso porque, só ano passado, este segmento da agricultura foi responsável por exportar US$ 130 milhões e colocar o estado do Rio Grande do Norte como o segundo maior exportador do país.

A 21ª edição da Expofruit é realizada pelo Coex – Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte –, em parceria com o Sebrae, governo do Estado e prefeitura de Mossoró e uma gama de empresas que compõe a cadeia produtiva, o que inclui produtores, empresas de melhoramento genético, embalagem, irrigação e produtos contra doenças e pragas. Hoje, a fruticultura gera 20 mil empregos diretos e 50 mil indiretos no estado. Fora o consumo interno, a produção é exportada para países como o Reino Unido, Holanda, Espanha, Emirados Árabes, Canadá e Argentina, entre outros.

O que faz a fruticultura potiguar ter a qualidade reconhecida no mercado internacional é o selo de Indicação de Origem Geográfica, que foi obtido em 2013. O presidente do Coex, empresário Luiz Roberto Barcelos, destacou que o Brasil é hoje o terceiro maior de frutas do mundo, ficando atrás apenas da Índia e China. Contudo, ele ressaltou que – em termos de exportação – o Brasil está apenas na 23ª posição. “Em nível de Brasil, não exportamos nem 3% do que produzimos, porém, uma parte significativa do que vendemos ao mercado internacional sai do Rio Grande do Norte. Portanto, o setor é importante para o país e frutas como melão e melancia são destaques”, disse Barcelos.

De acordo com o empresário, questões atribuídas ao poder público também contribuem para o desenvolvimento da fruticultura, como o processo de agilidade nas licenças ambientais e outorga da água. O resultado é um faturamento de R$ 1 bilhão ao ano, no qual R$ 250 milhões são voltados para o pagamento de salários. “Um quarto de nosso faturamento vai para os trabalhadores do setor”, acrescenta Barcelos.

O diretor de Operações do Sebrae no Rio Grande do Norte, Eduardo Viana, ressaltou que a instituição apoia a fruticultura de maneira direta desde 1991, a partir de projetos voltados para o plantio e comercialização do caju. De lá para cá, a participação do Sebrae no setor agropecuário só fez aumentar, com a presença na Festa do Boi, a partir de 1995; projetos voltados para a produção in natura e qualidade do produto, em 1998; qualidade total para produtos de maior valor agregado, em 2002; missões internacionais de negócios, em 2003; certificações, a partir de 2009, congresso brasileiro de fruticultura, em 2010; Certificação de Origem Geográfica, em 2013; Central de Comercialização de Agricultura Familiar, em 2014, além de estudos e projetos para o pequeno produtor, que foram intensificados de 2015 para cá.

O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern), José Vieira, destacou que a fruticultura no estado está “salvando” o setor. “Infelizmente, a situação geral não é das melhores porque o setor encolheu sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) do estado. O que antes era uma participação de 3,4%, hoje é de 2,8%”, disse Vieira. No entanto, ele disse que a fruticultura irrigada potiguar é motivo de orgulho, porque enquanto se empregam dois trabalhadores por hectare aqui, no estado do Mato Grosso – por exemplo – emprega-se apenas um cada 200 hectares de soja. “Com certeza, a Expofruit trará novos negócios para o setor e hoje faz a diferença no setor agrícola. Os números estão aí e em processo de crescimento”, completou Vieira.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do estado, Guilherme Saldanha, participou da abertura da Expofruit representando o governador Robinson Faria, que, por está em campanha eleitoral, fica proibido pela legislação de participar de eventos. Saldanha ressaltou que não é fácil ser produtor rural no Brasil, e em especial no Rio Grande do Norte. “Estamos conseguindo desburocratizar o setor, porque os empresários são geradores de empregos e desenvolvimento. A transposição do Rio São Francisco, cujas obras estão em andamento na região do Assu, vão trazer novas oportunidades para o setor agrícola. Além disso, o porto de Natal é o maior exportador de frutas do Brasil, porque escoa a produção do Rio Grande do Norte e outros Estados ”, disse Saldanha.

A prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini, também participou da abertura da Expofruit e destacou que o município é parceiro do setor. “Essa parceria ficou ainda maior com a participação da prefeitura de forma direta na realização da feira, que trará uma nova dinâmica para a economia da região”, frisou Ciarlini. A prefeita lembrou, ainda, que quando era governadora conseguiu garantir investimentos internacionais na ordem de US$ 540 milhões para dez cadeias produtivas no setor agropecuário e, entre elas, encontra-se a fruticultura. “Isso não é um projeto de um só governo, mas de várias gestões. Tenho certeza que a próxima Expofruit será ainda maior que esta”, destacou Rosalba Ciarlini. A Expofruit prossegue com a feira, realização de seminários, visitas a plantios e rodadas de negócios até quinta-feira, 23.

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