Brasil

Correios abrem plano de demissão voluntária

Com os estudos sobre privatização já avançando no Governo Federal, os Correios abriram um Plano de Demissão Voluntária (PDV).

O programa tem como objetivo reduzir o quadro de pessoal para cortar os gastos da empresa e recebe inscrições até 15 de junho.

Os primeiros inscritos, porém, já devem ser desligados daqui a quinze dias, o que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos em Pernambuco (Sintect-PE), deve agravar a qualidade do atendimento da estatal, que hoje já sofre com a falta de carteiros e, por isso, segue atrasando a entrega de mercadorias.

“Nós já temos um déficit grande de efetivo e não temos nenhuma perspectiva de concurso público que possa repor esse pessoal. A tendência ao tirar mais gente, então, é que o serviço fique ainda mais prejudicado”, afirmou o secretário de imprensa do Sintect-PE, Eliomar Macaxeira. Ele contou que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) já teve 120 mil trabalhadores no País, mas hoje tem 105 mil empregados. “O déficit é de pelo menos 10 mil pessoas. Pelo menos o PDV não abriu para carteiros. Podem se inscrever os cargos administrativos, os atendentes comerciais e os operadores de triagem e transbordo. Carteiro só se já estiver aposentado”, informou Macaxeira.

Procurada pela reportagem, a ECT confirmou a realização do PDV. Porém, até o fechamento desta edição, não informou quantos empregados pretende desligar e nem a economia prevista pelo PDV.

Privatização
O presidente Jair Bolsonaro discutiu possibilidades de privatização dos Correios nesta semana com o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar. A ideia, segundo a pasta, é desonerar o cidadão. Os trabalhadores, por sua vez, afirmam que medida pode piorar o atendimento da população. “Uma empresa privada não vai querer abarcar tudo o que os Correios fazem. A empresa está em todos os municípios brasileiros e é fundamental para o interior. Nas cidades que tiveram bancos explodidos, por exemplo, é nos Correios que a população faz seus serviços bancários”, lembrou Macaxeira.

Em mensagem transmitida na rádio interna dos Correios nesta semana, o presidente dos Correios, Juarez Cunha, revelou que, por conta disso, serão estudadas alternativas à privatização. “Temos alguns argumentos para a não privatização, pois nós somos uma estatal independente. Não dependemos do recurso do Orçamento”, afirmou Cunha, dizendo que a empresa estuda a abertura de capital da empresa. “Já iniciamos, com vistas à modernização da empresa, estudos para a abertura de capital. É uma medida fundamental para que possamos ter um quadro de sócios minoritários”, afirmou Cunha, admitindo que, ao mesmo tempo, o Governo Federal vai tocar os estudos de privatização da empresa. Por Folha PE