A notícia na íntegra | por Gláucia Lima

domingo

9

outubro 2016

0

COMENTÁRIOS

“Não voto”. O recado das abstenções e dos votos brancos e nulos

Por , em Eleições 2016

4

O número de votos brancos e nulos, somados às abstenções, se destacou na votação do último domingo, 2. Se eles fossem um candidato de uma só legenda, ela seria a que mais teria crescido nas capitais do País nessas eleições. Isso porque em dez capitais o “não voto” ultrapassou os números do prefeito eleito ou do candidato que ficou em primeiro lugar. Em Fortaleza, como em outras 10, permitiria ir ao 2° turno no lugar de Capitão Wagner (PR), que teve 400.802 votos. As razões para explicar o fenômeno são muitas, analisam estudiosos. A “descrença” na política, no entanto, é apontada unanimemente.

“Estamos numa crise de representatividade muito grande, há uma desconexão entre os eleitos e eleitores”, explica Rodrigo Uchôa, doutor em direito constitucional pela UFC. “É como se o eleitor dissesse: ‘Não há nenhum representante que me satisfaça, então eu não vou votar ou, se for, não voto em ninguém’.”

Para Uchôa, os números são resultado de uma etapa que teria se iniciado nas manifestações de 2013 e se intensificado com a recessão e impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O professor emérito de Ciência Política da Universidade de Brasília, David Fleischer, soma a isso a Operação Lava Jato.

“Isso é alienação e aversão à política intensificada pelo impeachment, Petrolão e Lava Jato”, afirma. A prova de que os fatos nacionais se refletiram no pleito municipal estaria na queda do PT em números de vereadores e prefeitos eleitos no País, argumenta. Mas como influenciaram o “não voto”? “O PT caiu, mas não se acredita em nenhum outro, nenhum partido pode substitui-lo por enquanto”, responde Uchôa.

Já Francisco Moreira Ribeiro, professor de Ciência Política da Unifor, vai além. Para ele, a descrença da política pelo brasileiro “é algo histórico”. “O mais sério disso é a descrença da política como ação capaz de construir uma sociedade diferente, como meio de mudança”.

“Quando se escolhe votar nulo ou branco, você tá dizendo que tudo que está aí não serve, mas também está deixando de se colocar como eleit1or. Os políticos não deixam de se eleger por isso”, analisa Ribeiro. Se não interfere diretamente no processo eleitoral, porém, o “não voto” serviria para dar um “recado”. “É o eleitor dizendo: ‘Você (o político) vai ter que consertar sua forma de fazer política’”, afirma Fleischer. O pedido por novos quadros e por uma reforma política também foram citadas pelos especialistas.

Outros fatores
Além de descrença e falta de opção, uma parte das abstenções pode ser explicada por simples desatualização do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há número incerto de eleitores já falecidos que ainda não foram excluídos do sistema, além de eleitores que não são obrigados a votar.

O voto de jovens com menos de 18 também é usado para medir a crença na política. Até junho deste ano, só 40% desses jovens haviam tirado título de eleitor. O índice está nove pontos percentuais abaixo que o mesmo período em 2012.

Mitos sobre os votos brancos e nulos

1. Voto branco e nulo vai para o primeiro colocado: mito. Esse tipo de voto não é contado na apuração e, portanto, não beneficia diretamente ninguém. Porém, diminuindo a quantidade de votos válidos, ele pode ajudar o candidato que está na frente a vencer porque o número de votos necessários para atingir a maioria fica menor.
2. Se a maioria dos eleitores votar nulo é feita nova eleição: mito.
Uma nova eleição é feita se a maioria do

Deixe seu recado através do Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *