A notícia na íntegra | por Gláucia Lima

segunda-feira

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junho 2016

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Rússia e Brasil avançam em parcerias nucleares

Por , em Tecnologia

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A Rússia tem investido pesadamente na criação de outra marca registrada, sobretudo, entre os países em desenvolvimento: tecnologia nuclear. O país sediou o maior congresso de energia nuclear do mundo, que reuniu milhares de participantes de 50 países em Moscou na primeira semana de junho.  O evento foi patrocinado pela estatal russa de energia nuclear Rosatom, que convidou dezenas de jornalistas internacionais para o evento.

A viagem incluiu visita à usina nuclear de geração 3+, na cidade de Novovoronezh, considerada a mais moderna do mundo. A mesma que os russos tentam vender para o Brasil, desde que o governo da presidente afastada Dilma Rousseff anunciou a meta de construção de pelo menos quatro usinas nucleares até 2030. Durante o congresso, o número dois da Rosatom, Kirill Komarov, afirmou que a crise econômica e política que o Brasil enfrenta não mudou os planos da estatal russa de aumentar parcerias com o país.

“Energia nuclear deve estar além das questões políticas, pois a necessidade brasileira de usinas nucleares é enorme. E, apesar da situação atual, continuamos a avançar (nas negociações)”, declarou o vice-diretor geral da Rosatom. “Há um mês, recebemos o convite da Eletronuclear para visitar alguns locais e fazer consultoria, ver quais são os locais mais apropriados para construções de usinas. Estamos muito otimistas com o programa nuclear brasileiro e ficaremos felizes em participar dele”, acrescentou.

O chefe da Assessoria para Desenvolvimento de Novas Centrais Nucleares da Eletronuclear, ligada ao Ministério de Minas e Energia, Marcelo Gomes, afirmou que as conversas com as diferentes empresas ainda são iniciais, mas que a Rússia tem se mostrado parceiro mais do que habilitado, experiente e proativo.

Para o representante da Eletronuclear, a possibilidade de construção e operação de usinas nucleares por empresas privadas pode tornar-se realidade com o novo governo interino. “Acho que com esse governo novo, pelo discurso do novo ministro (Minas e Energia), existe essa percepção de que o agente privado pode vir a contribuir nesse processo. Os sinais que temos recebido e a lógica da necessidade do setor elétrico apontam para uma continuidade desses projetos e até que sejam intensificados”, disse Gomes. “A Eletronuclear acredita que isso seja possível dentro do quadro atual, contanto que se crie algumas leis complementares à legislação atual.”

Gomes também mencionou com otimismo as negociações com a Rosatom para a conclusão de Angra 3, projeto da Eletronuclear no Rio de janeiro, cujos trabalhos de construção estão paradas por causa de irregularidades na obra.

 

A Rússia tem 34 usinas nucleares sendo construídas em todo mundo, o que a torna líder nesse mercado. O portfólio de 2015 para os próximos dez anos de passava dos US$ 110 bilhões, quase US$ 9 bilhões a mais que no ano anterior. A meta para este ano é US$ 136 bilhões. Os lucros com contratos no exterior da empresa aumentaram de US$ 5,2 bilhões em 2014 para US$ 6,3 bilhões em 2015.

 

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