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Num ataque ao alinhamento do Brasil aos EUA, chanceler venezuelano respondeu à ministra Damares Alves, alertando que é o “Brasil que precisa se libertar das imposições”. Ele ainda sugeriu um encontro entre Maduro e Trump para evitar uma guerra.
GENEBRA – O governo brasileiro, o Grupo de Lima, Israel, Austrália e alguns países europeus abandonaram a sala de conferências da ONU, num raro ato de protesto. A iniciativa foi a forma encontrada pelo Itamaraty para deixar claro que não reconhece o governo de Nicolas Maduro.
O boicote ocorreu nesta manhã, em Genebra, quando subiu ao púlpito da ONU o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza. Seu discurso durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas foi considerado como um “ato de cinismo” por diplomatas. Mais de 60 diplomatas deixaram a sala.
No ano passado, também em Genebra, o mesmo ministro havia declarado que não existia crise humanitária na Venezuela e nem um êxodo. Segundo a ONU, 3,2 milhões de venezuelanos já deixaram o país.
O “walk out” promovido pelos diplomatas passou a mensagem de que não reconhecem aquele governo como o poder legítimo na Venezuela. Desde janeiro, Brasil, Colômbia, Equador e outros países passaram a considerar Juan Guaidó como o legítimo presidente da Venezuela.
A delegação brasileira estava sendo liderada pela ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, que fez sua estreia internacional no púlpito da ONU na segunda-feira, dia 25. Durante seu discurso, ela atacou a “ditadura de Maduro” e convocou a comunidade internacional a “libertar” a Venezuela. Mas ela já deixou Genebra na manhã desta quarta-feira, antes do discurso do venezuelano.
Após seu discurso, Arreaza voltou a criticar o governo Bolsonaro. “Queremos o povo do Brasil e acredito que é o Brasil que precisa se libertar do neoliberalismo e das imposições. Estamos à disposição do brasileiro para que libere do pior”, disse, numa referência ao governo nacional e de seu alinhamento com os EUA.
