
Com o decreto que define a nova Política Nacional de Drogas, o governo sinaliza grande mudança no foco do tratamento de dependência química.
A tônica do texto é a ênfase no modelo da abstinência — e não mais na redução de danos, prática que é adotada na rede pública de saúde. Antes de assinar o decreto, reforçando a mudança de foco, o governo injetou R$ 153 milhões em comunidades terapêuticas (a maioria de viés religioso, católicas ou evangélicas), que preconizam a reclusão e a abstinência como mote para tratar a dependência química.
Especialistas como a psiquiatra Nicola Worcman destacam que o tema é complexo:
— Não há consenso entre os pesquisadores sobre o modelo ideal.
O GLOBO visitou unidades da Fazenda da Esperança, a comunidade religiosa que mais recebeu dinheiro do governo federal — em março, assinou novos contratos com o Ministério da Cidadania que somam R$ 4,7 milhões.
A reportagem também visitou um dos principais Centros de Atenção Piscossocial Álcool e Drogas do Rio de Janeiro, o Caps Miriam Makeba, onde se dá o atendimento público e gratuito a dependentes químicos. A unidade tem 450 pacientes cadastrados, amparados por 43 profissionais de saúde.
O Globo
