
Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24/6), por volta das 19h (horário de Brasília), tiveram reflexos no Brasil. Os eventos foram registrados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) , coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI) com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).
O epicentro do evento principal foi localizado próximo à cidade de Morón, no estado venezuelano de Carabobo, na costa do Caribe, e teve uma profundidade de cerca de 13km – relativamente raso, o que aumenta o potencial destrutivo.
Registros de tremores foram relatados nas capitais Belém (PA), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP) além de outros municípios desses estados.
“É relativamente comum que terremotos com essa magnitude e profundidade sejam percebidos a centenas de quilômetros do epicentro. Embora possam causar preocupação entre a população, tremores registrados a essa distância não representam risco de danos às cidades brasileiras”, explicou o sismólogo do Observatório Nacional, Dr. Gilberto Leite.
Os terremotos consecutivos deixaram pelo menos 164 pessoas mortas e mais de 900 feridas, segundo a presidente interina Delcy Rodríguez. Em La Guaira, ao norte de Caracas, “dezenas” de edifícios desabaram . O Serviço Geológico dos EUA afirma que milhares de pessoas podem ter morrido no total. No entanto, deve levar dias, semanas ou até meses para determinar a extensão total dos danos.
Os terremotos ocorreram com um minuto de intervalo e o segundo sismo foi o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
De acordo com Gilberto, o contexto tectônico da região é relativamente complexo , envolvendo o encontro das placas tectônicas Sul-Americana e Caribenha. Análises preliminares indicam que os tremores foram resultado da ruptura ao longo de duas falhas transcorrentes.
Eventos anteriores na região que estão listados em catálogos internacionais incluem:
- 2009 – Magnitude 6.3
- 1967 – Magnitude 6.6
- 1900 – Magnitude 7.7
